Saturday, September 20, 2008

O Tao do Café

só pra manter isso aqui atualizado com asneiras fresquinhas da minha criatividade inquieta ;)

mais um final de semana de tempo feio e frio, nada de viagem ou aventuras, o projeto do livro estagnou porque o clima não permite que eu realize o desfecho planejado, então desencanei disso e quando der, deu, em vez de 3 meses que sejam 3 semestres ou 3 anos, agora é com São Pedro lol quer dizer, não só com ele, de tanto tédio acumulado (ou seria a cafeína?), exagerei no treino de quinta e estou agora agonizando de dores no meu joelho, apavorado com a perspectiva de visitar um médico e ter feito uma caca bem grande com meus amados (mas pouco poupados) tendões, ligamentos e cartilagens anexas. explico, existe uma maldição bizarramente ligada a minha genealogia que parece afetar especificamente o genou (joelho em francês ;) tenho prova segunda blah). meus 2 irmãos já passaram por cirurgias e meu pai deixou de praticar atletismo por conta de problemas similares.

como sei que tem uns bons amigos que passam por aqui em busca de noticias ou textos de qualidade (ser ruim é uma qualidade não é?), decidi postar só pra dizer que vivo, entre textos, trabalho, treinos e um saco de gel de gelo ou gelo em gel ou qualquer variação entre os 2 que alguem bem mais esperto (e definitivamente mais rico) que eu inventou.

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hauhauhauahau
são muito bons estes textos bloggeiros que me lembram o podrismo lá do comecinho da década :) acho q ninguém que visita esse blog está familiarizado com isso, então deixa pra lá... o podrismo morreu lá por 2003 mesmo hauhauhaua

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falando em começo da década, sensações bizarras nessa semana, hoje passei por uma pessoa que não via faz tempo e tomei um susto enorme. Deixa eu explicar direito: lá estava eu dirigindo cantarolando uma musica qualquer do Jack Johnson, alguns minutos após sair de meu lar, vi uma figura bizarra atravessando uma rua, antes mesmo de estimular minha criatividade e tecer um comentário mental quanto a criatura a minha frente, ao passar mais perto verifiquei as feições e reconheci alguém que um dia conheci, a primeira reação foi "nossa..." sem mais... apenas não tinha como ser a mesma pessoa, algumas quadras depois a ficha caiu e pensei em ligar, mandar email, carta, um mensageiro, não é possível, deve ter acontecido alguma coisa, drogas, doenças degenerativas, algo extremo e sério do gênero. fui ao treino, assistir os amigos girarem e tirar fotinhos (afinal agora todo mundo tem camera pro menos eu :P por enquanto hehehehe) mas fiquei com aquilo (perdão da palavra, me refiro à sensação e não à pessoa) na cabeça, como é possível, se é que é possível...
apenas a noite consegui colocar as idéias em ordem quanto ao estranhamento que senti, o tempo passa, não seremos jovens pra sempre, a vida é cheia de idas e vindas que cansam e deixam suas marcas, de uma maneira ou de outra. a pessoa que vi provavelmente nunca vai entrar neste blog, e até mesmo talves nunca mais me veja ou fale comigo o resto da vida, mas ainda assim pensarei nela de tempos em tempos, torcendo para que esteja bem, e que o rosto cansado e sem esperanças que vi hoje fosse só por um dia ruim, o clima frio ou uma futilidade qualquer.

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outra coisa bem importante que gostaria de compartilhar com os amigos que visitam e deixam mensagens por aqui ou por email. tanto quem me conhece a pouco tempo, como quem cresceu comigo sabe de algumas de minhas posturas perante a vida e as pessoas. algumas regras de conduta que tento manter desde que me conheço por gente e outras que vou polindo com o tempo. Nos últimos meses tomei um contato maior com a filosofia budista, mas diferente da estupefação adolescente e todo meu desbunde com o sincretismo e toda a baboseira new age (que aliás é super legal, mas tem muito lixo adicionado ao todo que simplesmente enche o saco), encontrei muitas similaridades com a maneira como penso e sou atualmente, tenho muito a agradecer a muita gente, principalmente àqueles que não compreendem direito, mas que mesmo assim se esforçam para tentar encontrar paciência e no mínimo "me aturar".

uma das coisas que considerei foi abandonar ou pelo menos "dar férias" ao blog, mas passei a -lo como uma forma de exercitar a escrita e manter os amigos informados do que passa por minha mente e vida, então ele será atualizado pelo menos a cada 15 dias.

ah, eu achei que hoje ia escrever pouco :P

bons treinos/trabalhos/estudos/whateva a todos! e muitissimo obrigado tambem!

Tuesday, September 09, 2008

Feriado da independencia

Ultimo feriado do ano de 2008, o dia 7 caiu em um domingo, porem dia 8 é feriado em Curitiba, o que nos deu 3 dias de folga neste final de inverno. A idéia inicial era viajar ao interior do Paraná, mas com mudanças de planos no decorrer da semana decidimos ir para o litoral. Eu iria para a casa de um primo, no litoral norte catarinense, para surfar e descansar por lá, meus irmãos iriam para a nossa casa de praia no litoral paranaense.
Ainda na quinta a noite começaram os sinais de mudanças nos planos. Após o treino passei buscar minha irmã na aula e ela disse que um dos colegas de classe estava indo pra montanha pois havia um incêndio perto do Pico Paraná! De novo! Há exatamente 1 ano estávamos no Getulio e Caratuva ajudando contra um incêndio de proporções catastróficas e que poderia ter sido muito pior, não fosse a chuva. A principio achei que o tal colega de classe estivesse falando do incêndio em Minas Gerais, que já se estendia por quase uma semana. Ao chegar em casa uma consulta à internet e a lista de voluntários continha a informação de fogo nas proximidades do Camacuã, comecei a cogitar a possibilidade de passar o feriado na montanha, ao mesmo tempo em que comecei a torcer para que a previsão de chuva se concretizasse.
A sexta feira amanheceu com tempo nublado, mas sem muitos sinais de chuva, quando o tempo abriu durante a tarde eu já estava aceitando a idéia de abandonar os planos de praia. Após o treino passei em casa consultar a internet e as ultimas noticias, e, para meu alivio, o tempo na noite anterior havia apagado quase completamente o incêndio. Muito mais tranqüilo fui ao aniversario de um bom e velho amigo, ambiente legal, musica ao vivo, colocar os assuntos em dia com pessoas com quem não converso com tanta freqüência como antes. É engraçado como com o tempo os assuntos destas conversas sempre acabam indo parar em assuntos de trabalho, análises de mercado, projetos e objetivos pessoais. Fico realmente muito feliz com a evolução e perspectiva de vida de todo esse pessoal!
Sábado meu telefone despertou as 7:40, coloquei mais 10 minutos para aproveitar as cobertas como sempre, mas as 7:47 ele decidiu tocar, do outro lado meu primo: "ô piá! To aqui na frente... você ta dormindo?" Levantar, tomar café, arrumar a mochila, colocar as coisas no carro, passar pegar a sogra dele que iria de conosco até o litoral e mais uma vez estava sentido o sul pela 376.
A previsão da internet era de boas ondas, porém, só pra variar isso inclui água gelada, muito gelada. Ainda no sábado pela manhã entramos na água para meu primo estrear a prancha nova, 40 minutos depois eu estava remando na onda que me tiraria do principio de hipotermia e me levaria até a areia. Eu cresci desde que comprei meu neoprene e agora ele é extremamente desconfortável, por isso sou obrigado a entrar na água sem nenhum tipo de proteção térmica, assim como em Floripa, o frio realmente serviu como lição de humildade. Estas experiências sempre incentivam a investir em um neoprene novo, mas sempre acabo mudando de idéia, pois afinal de contas logo chega a primavera e a água esquenta, sem contar o preço salgado deste pequeno conforto. Sentei na areia por uns minutos, uma chuva fina estava surpreendentemente quente, respirei lentamente controlando a tremedeira do frio por alguns instantes, pequenas contrações musculares por todo o corpo que tenta instintivamente manter-se aquecido. A chuva parou, e mesmo com um esboço de abertura no tempo, o sol não era suficiente para reduzir o frio causado pelo vento, decidi ir para casa e esperar meu primo lá. Após um banho quente e de tomar um chocolate quente já bem agasalhado, observei com uma alegria quase infantil minhas mãos passarem de uma cor quase azulada para o tom normal de pele e os tremores demoraram ainda alguns minutos, mesmo reclamando um pouco do frio, estava muito mais do que feliz.
Tenho total consciência dos meus limites, sabia do frio da água antes de me expor a ele, sabia que o conforto, banho quente e roupas estavam a apenas algumas poucas centenas de metros de distancia. Sabia também que poderia ter ficado mais tempo na água sem grandes riscos, porem era ainda o primeiro dia do feriado, arriscar qualquer complicação em decorrência de "desafiar limites" não seria exatamente uma decisão inteligente.

Durante a tarde fiquei na areia tirando fotos e contemplando toda a paisagem da praia. Foi aqui que aprendi a surfar ainda adolescente, remei nas primeiras ondas, entrei na água logo após o sol sair dela e fiquei no mar até o por do sol, aprendi a observar, respeitar e principalmente gostar deste estilo de vida. Admirar os pescadores, a cultura litorânea, a simplicidade e beleza da natureza que existe nesta região da divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina. Não é como o sul de Santa Catarina ou como a Ilha do mel, não existem paisagens grandiosas, águas de cores maravilhosas ou animais exóticos. Mas é justamente na simplicidade, areia grossa, a boca do rio, o mangue, as gaivotas e os siris, ainda mais do que em Florianópolis com as areias brancas, pedras e dunas, aqui eu me senti em casa.
Tirei fotos até anoitecer, o sol nos brindou com um fim do dia colorido que permitiu algumas boas fotos (logo posto elas por aqui).
A noite um jantar a base de pasteis feitos com massa de lasanha! Vale deixar a receita, ao invés de utilizar massas prontas de pastel, comprar massa pronta de lasanha, daquelas em retângulos grandes, colocar o recheio de sua preferência, untar com água para fechar, e fritar em óleo quente, o massa é mais pesada que a do pastel, o gosto é quase igual, mas sustenta muito mais!
Domingo o dia já começou com céu limpo e correria para decidir se iríamos para outra praia mais ao sul, havíamos cogitado na véspera a possibilidade de passarmos o dia em outra praia, onde a ondulação sofria menos interferência e as ondas estariam maiores e melhores. Apenas perto das 10 horas conseguimos confirmar a previsão de ondas boas e partimos em 5 rumo a Barra Velha. A principio eu havia resolvido ir para a minha casa no litoral paranaense, liguei para meu irmão, que viria me buscar de carro, porem alguns vizinhos haviam estacionado atrás do carro dele e trancado a saída, assim, combinamos que ele me buscaria no fim do dia e eu acompanharia meu primo e seus amigos para o sul.
Quase 1 hora de viagem até chegar a praia em questão, a grande característica deste lugar é de ser um beach break, onde as ondas quebram sobre fundo de areia, e que fica a apenas alguns metros da praia, com uma única arrebentação, o que faz o surfista ter certa facilidade para chegar ao local onde deve esperar as ondas e permite a quem está na areia ver bem de perto toda a ação. Assim torna-se um lugar perfeito para fotografar. Com ondas grandes e tubulares, praia praticamente deserta, apenas os 4 na água, tirei ótimas fotos. Mudamos de praia ainda 2 vezes, mas nenhuma superou esta primeira, antes de ir embora decidimos subir algumas pedras para observar a paisagem e decidi escalar um bloco relativamente baixo, mas que deixava uma grande queda exposta a minhas costas, que custaria algumas lesões e certamente um banho caso eu caísse. Não sei bem como avaliar graduações de vias, mas considerei a subida relativamente fácil, demorei uns 3 minutos para acertar algumas pegadas, mas instintivamente, escalando descalço, cheguei ao topo do bloco, bastante feliz com a escalada simples, este momento valeu o dia.
A noite meu irmão veio buscar-me e após uma viagem curta por estradas extremamente escuras, dignas de filmes de horror, estávamos na balsa atravessando para Caiobá, a apenas alguns minutos de casa. O céu estava estrelado e desci para observar as luzes da baía de Guaratuba, o movimento dos outros carros e pessoas, o vento, algumas pequenas embarcações de pescadores, o frio da noite não era nada comparado com a água do dia anterior e divagando em relação a tudo e planejando como escrever sobre estas coisas, sobre como resolver os problemas com as lacunas ainda a preencher no livro. Logo meu irmão veio chamar dizendo pra sair do vento e juntar-me a ele e a namorada dentro do carro, ouvindo musica e rindo de coisas aleatórias.
Chegando a nossa casa de praia havia resto de almoço para ser esquentado, um banho, roupas quentes e jantei lendo, enquanto o restante do pessoal assistia TV ou conversava sobre assuntos diversos, parando de tempos em tempos para palpitar na conversa ou responder a alguma pergunta. Iria dormir na sala, e por isso esperei todos chegarem e irem dormir, acordei no meio da noite com o barulho de alguém passando mal e indo as pressas ao banheiro vomitar, verifiquei que estava tudo sob controle, fiz algumas perguntas e recomendei chá ou soro caseiro, já que a pessoa dizia não ter bebido, a suspeita caia sob alimentação ou o sol forte.
Segunda feira, acordei com a claridade e vi através da porta da sala o céu nublado, desanimei de ir correr e virei para o outro lado, alguns minutos depois alguém desceu para ir comprar comida ou algo assim, a outra pessoa ainda reclamava de dores no estomago, dores de cabeça, enjôo, apesar de ainda insistir em dizer que não havia bebido, e eles decidiram subir para Curitiba ainda pela manhã. Meu irmão, a namorada e eu ficaríamos para ir apenas no meio da tarde. Fui até a praia dar uma olhada e verificar as condições do mar, as ondas haviam diminuído consideravelmente, o tempo feio, vento gelado e perspectiva de chuva não animaram entrar na água.
Conversei com um senhor que queria informações sobre como pescar a beira da praia e acabamos passando quase 1hora conversando sobre o tempo, pesca, barcos, descobri que ele era do interior, que sempre que vinha a praia esquecia do material de pesca, mas que desta vez trouxera e esperava conseguir pelo menos um ou dois exemplares pra mostrar pra esposa que a tralha adicional no carro não fora bobagem. Quando falávamos sobre embarcações e disse da intenção de viajar pelo pacifico daqui alguns anos, ele se iluminou e disse que viajar pelo oceano, vivendo do que pescasse e de poucos suprimentos sempre fora um sonho dele, mas que ele acabou deixando de lado por conta dos caminhos da vida, casamento, filhos, carreira. Ele incentivou com enorme insistência o projeto e disse para escrever um livro depois. Quando eu disse que já estava escrevendo um e pedi se podia incluir nossa conversa ele ficou lisonjeado, aceitou o pedido, mas solicitou que eu mudasse o seu nome para que se um dia o livro fosse famoso a esposa não soubesse que ele deixou de seguir um sonho por ter escolhido ela às aventuras do mar. Nos despedimos, desejei-lhe boa pescaria e ele deu boa sorte ao livro, voltei para casa com a sensação de que muito provavelmente irei encontrar questionamento similar no futuro, ter de escolher entre aventuras e experiências infindáveis e a estabilidade de uma carreira, família, "responsabilidades" que se acumulam. Pensando bem, acho que já passei por uma escolha similar, mas quem sabe o que o futuro guarda, quando a hora chegar espero ter discernimento suficiente para não me arrepender do que decidir.
Após o almoço, breve siesta, arrumar as coisas, e iniciar a jornada de volta, transito um tanto pesado no trecho de serra, parada para comprar quitutes diversos, chegamos em Curitiba com tempo menos fechado, um sol tímido entre nuvens. Em casa comecei a organizar as coisas para a semana e colocar em ordem os textos, conversar com alguns bons amigos, planejar as próximas viagens.

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Acredito que na próxima semana encerro o projeto, com 3 semanas de atraso em relação ao previsto, mas assim pude incluir esta viagem e algumas considerações da outra semana. Depois de tudo pronto vou ter de fazer a edição de tudo, polir um pouco a seqüência da narrativa e começar a solicitar revisões e opiniões de leitores que sejam voluntários para isso. :)